Hello pipóu!! Como vocês estão? Bem, obrigado/a?
Como prometido, estou
de volta ao mundo da comunicação latejante, bi/unilateral e solitária, que
corresponde à vida social/escravizante/VIRTUAL dos últimos tempos!
PS: Por falar em escravidão, assinei meu papel de alforria e exclui a
maleditta conta no FB que só me tomava tempo útil em troca de coisas inúteis.
Tem muita gente me perguntando que raios tive na cabeça para cometer semelhante
ação, tão valente e impetuosa (afinal, não ter FB nos tempos de hoje??? Oi??).
Alforria para escrava Geyme! Um babaca a menos na rede; Isabel agradece!
Mas deixarei o tema
FB para o próximo post, pois embora tenha excluído a conta, ainda não fiz minha
carta de despedida.
A viagem à Alemanha
foi muito bem, grata!
Estava frio, mas nem
tão frio ao ponto de usarmos protetor de nariz. O povo continua direto e gelado
como o clima por lá, tal qual somente um bom alemão (legítimo) pode ser. A
comida continua fabulosa, embora agora precise lutar para perder os 300 quilos
que ganhei em menos de quatro semanas de férias. Salve o chucrute e a
linguiçada menos light do que se espera! As ruas continuam movimentadas por
bicicletas e os transportes públicos com passageiros leitores. É
impressionante! Chega a dar comichão esse povo que lê em qualquer lugar: no
trem, no ponto de ônibus, na rua, na fazenda, e se bobear, até em uma casinha
de sapê... A cerveja continua encorpada, forte e verdadeira, e não “uma
refrigerante” tal qual dizia meu marido quando começou a aprender português e
experimentou pela primeira vez uma das cervejas daqui, servida em latinha.
Nesse mês de outubro
que ainda não acabou, foram litros de cerveja que derrubamos em terras
germânicas. Era como se o mundo fosse acabar e precisássemos beber tudo!
(desconsiderem o exagero da afirmação, por favor. Ainda não tenho o nariz
vermelho com micro veias estouradas nas laterais, ocasionado pelos efeitos
pouco estéticos do álcool).
Bem, não sei por que
me perco tanto no post... Não queria falar sobre o FB, nem sobre chucrutes, o
que eu queria dizer é que a Feira do livro em Frankfurt foi interessante (menos
do que eu esperava, considerando que o Brasil depois de vinte anos, foi o país
homenageado de 2013). Tá, todo mundo sabe que essas feiras não são para
escritores mesmo... A novidade para mim foi ter visto o primeiro livro que
escrevi (aos 25 anos), finalmente traduzido ao alemão. Não me perguntem onde
poderão comprá-lo, pois não sei! Não tenho qualquer informação a respeito,
acreditem ou não!
*Também não é
novidade minha relação catastrófica com editoras e editores... mas esse é um
novo romance que deixarei para as cenas de algum capítulo próximo.*
Mas vamos ao ponto:
A participação do
Brasil na feira foi marcada por polêmicas e saias justas para o governo,
principalmente por causa dos critérios de escolha dos 70 escritores que representaram
o país com despesas pagas pelo contribuinte.
Parodiando meu amigo
Paulo Coelho que se desconvidou sabiamente em última hora do evento (com toda e
louvável razão), gerando assim o maior bafafá literário do milênio, reproduzo
na íntegra as palavras dele:
"Não quero posar agora de Robin Hood. Não sou Zorro nem Cavaleiro Solitário. Mas não me sentiria bem em pertencer a uma delegação oficial de escritores brasileiros que na maioria eu não conheço, enquanto muitos escritores profissionais de meu país não foram convidados"
Coelho citou como
motivo do boicote, sua discordância em relação à lista dos convidados para
integrar a delegação oficial brasileira de autores, de responsabilidade do
Ministério da Cultura, e da qual ele faz parte:
"Duvido que todos sejam escritores profissionais. Dos 70 convidados, só conheço 20, nunca ouvi falar dos outros 50. São, presumivelmente, amigos dos amigos dos amigos. Um nepotismo. O que mais me aborrece: existe uma nova e excitante cena literária no Brasil. Muitos desses jovens autores não estão na lista”"Para mim, o atual governo é um desastre. Não importa onde estou, sou sempre perguntado sobre o que está acontecendo de errado no meu país. O governo prometeu mundos e fundos e não cumpriu nada. Isso é o que está errado"
Bem, do jeitinho que
brasileiro é, ofendido por ter um dedo intruso em sua ferida de orgulho, vieram
as baboseiras em defesa própria, alegando que Paulo Coelho vende pouco *coff
coff*- reprodução de tosse – que ele fez exigências cabeludas de estrela
para participar do evento, mas que no entanto, não foram atendidas...
Continuando...
O escritor Ruffato
expôs longamente as mazelas brasileiras, das históricas às atuais, abordando do
genocídio indígena durante a colonização a problemas atuais, como a alta taxa
de homicídios, analfabetismo e, até, o machismo dos brasileiros. Ele disse algo
mais ou menos assim, de acordo com minha interpretação em sentido não
literal (segura essa peteca):
"Somos filhos de europeus que estupraram nossas índias!"
Eeeppaaa, 1.2.3 Um
pasito adelante Maria...!!!
Enquanto Ruffato
criticou a desigualdade social, o preconceito racial, a violência e a
impunidade no Brasil, Paulo Lins (autor de Cidade de Deus) afirmou que houve
racismo no critério de escolha de autores que participariam da feira.
É, quando se fala em
Brasil tudo é possível; até mesmo que racismo ainda seja tema e sentimento dos
cara pálidas que esquecem de todo mal que já foi feito contra índios e negros
nessa nação bananeira, tupiniquim, que não mostra a cara nem a pau!
Olha essa agora:
As críticas de
Ruffato à realidade brasileira arrancaram urros do público, mas também reações
exaltadas, como a do cartunista Ziraldo, que exasperado pelos aplausos que seu
colega recebeu, levantou-se para protestar:
"Não tem que aplaudir! Que se mude do Brasil, então!"
Credo, Ziraldo! Que
pouco senso de realidade, reflexão e introspecção! Até parece que você tem uma
panela na cabeça, cruzes! Até parece que você desconhece a realidade da maioria
brasileira. Até parece que você vive com o Bolsa família ou ganha um salário
mínimo por mês para sustentar um clã de doze integrantes. Essa resposta me
remeteu à afirmação do jogador Ronaldo sobre os protestos referentes à Copa:
Lembram dessa
fresquinha ainda?
"Está se gastando dinheiro com segurança, saúde, mas sem estádio não se faz Copa. Não se faz Copa com hospital. Tenho certeza que o governo está dividindo investimentos"
Deixemos o Dr.
Ronaldo para lá (antes que eu cite também a declaração de Pelé e a coisa vire
uma bola de neve infinita de discursos idiotas)...
Sem mais delongas à
manifestação de contrariedade do Escritor Ziraldo em relação a seu colega,
Ziraldo foi o cara que disse na feira:
“Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas!”
Ponto para Ziraldo!
Placar empatado! Uma salva de palmas a esses escritores que não se deixaram
vender em nome da vaidade artística e nem da ignorância do patriotismo, e muito
pelo contrário, mataram a cobra e mostraram o pau, sem papas na língua: Coelho,
Ruffato, Paulo Lins..., e claro, para o Ziraldo também!
PS: Ziraldo passou
mal durante a Feira e foi submetido a um cateterismo na Alemanha. Ao que tudo
indica, ele já está novinho em folha, apesar de seus 81 anos, e brincou com a
situação:
"Eu voltarei gloriosamente à Feira de Frankfurt para proferir minha palestra com o Mauricio de Souza, da turma da Mônica e Cebolinha. A Alemanha é o país mais capitalista do mundo, mas a medicina é socializada, os quartos dos hospitais não têm como receber acompanhantes. Ricos e pobres têm o mesmo tipo de tratamento." – disse, acrescentando que testara os médicos alemães e ao ver que eram bons ia mandá-los para a Amazônia.
Legal, né? Melhoras,
Ziraldão!
Vejam quem estava na
Feira também:
O Vice-presidente
Michel Temer! Oi???
É isso mesmo, o
Vice-Presidente (autor best seller, literato e integrante da ABL).
Gentem, please!! Ademais de terem falado sobre o PT e bolsa família na maior
feira de livros do mundo (what?), Temer também abordou questões democráticas e
falou sobre o avanço político-social nos últimos 25 anos, desde o
estabelecimento da Constituição de 1988. Mas ao tentar fugir da política e
entrar no campo pessoal, ele arrancou vaias da plateia que nesse momento boiava
completamente na maionese:
"Eu mesmo publiquei um livro de poemas, que tem muito da minha infância. E até hoje não recebi nenhuma crítica por ele, nem positiva, nem negativa"
Será que foi uma
piada? Não entendi a relação do alho com bugalho...
Foi a terceira feira
em Frankfurt que compareci, mas foi a primeira vez que minha ficha caiu: Feiras
de livros não são para quem escreve! Mas sim para empresas e negócios, que
muitas vezes, propensos e dispostos a pintarem seus narizes de palhaço para se
aparecer, armam o circo!
Abaixo
seguem algumas fotitas:
![]() |
Sie Waren Keine Engel, traduzido ao alemão |
![]() |
O meu primeiro livro ainda fica no Stande da Associação de escritores da America Latina! |
![]() |
Entrevista com Ruffato |
Recepção no Stande do Brasil |
Com Mauricio de Sousa |
A palavra do momento
é "bege"! Bege de espanto fluorescente!!!
Até a próxima!
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1. Está vetado o linguajar muito sacana ou ofensivo - salvo exceções bem aceitas, do tipo: xingar o próximo (isso pode!).
2. Se quiser delirar, procure a torcida do flamengo, pois de sacana aqui já basto eu!
3. A gerência de marte agradece a compreensão!
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